A Polícia Civil do Maranhão informou, nesta sexta-feira (12), que já identificou um suspeito pelo assassinato da influenciadora digital Grampola, morta a facadas no bairro Ribeira, zona rural de São Luís. Até o momento, ninguém foi preso. O caso está sob investigação da Superintendência de Homicídios, que apura a motivação do crime.
Suspeita de ligação com dívidas de drogas
Segundo informações preliminares, a polícia aponta que o homicídio pode estar relacionado a dívidas de drogas, descartando, num primeiro momento, a tipificação de feminicídio. No entanto, familiares e testemunhas seguem sendo ouvidos para esclarecer os fatos.
Quem era Grampola
Grampola, de 41 anos, era uma mulher trans bastante conhecida em São Luís por seus áudios humorísticos que viralizaram nas redes sociais. Ela também ficou marcada pelo apelido de “Rainha dos Áudios”. A morte ocorreu justamente no dia do seu aniversário.
Testemunhas relataram que a influenciadora foi vista pedindo socorro em via pública, já ferida com diversos golpes de faca. Grampola ainda chegou a ser levada a uma UPA, mas não resistiu.
Violência contra pessoas trans em São Luís
O caso de Grampola ocorreu poucos dias após o assassinato de outra mulher trans na capital. Na última segunda-feira (8), o corpo de Amanda Falcão, de 33 anos, foi encontrado em uma área de mangue no Aterro do Bacanga.
Esses dois episódios recentes acenderam o alerta para a violência contra pessoas trans em São Luís. Movimentos sociais e lideranças do Maranhão afirmam que estão acompanhando de perto os casos e irão cobrar ações do poder público.
Reação do movimento trans
Raíssa Mendonça, psicóloga, defensora dos direitos humanos e ativista da causa trans, destacou a urgência em enfrentar a violência:
“Nós já entramos em contato com o Conselho Estadual e com o Fórum Estadual. Vamos solicitar, com urgência, uma reunião com o secretário de Segurança Pública, porque precisamos de parceiros para combater essa violência contra a nossa comunidade.”
Ela reforçou que a luta não é apenas por justiça individual, mas pela defesa da vida e dignidade das pessoas trans:
“Hoje foi a Grampola, ontem foi a Amanda, amanhã pode ser qualquer uma de nós. Não vamos nos calar nem desistir de lutar por justiça.”
Contexto nacional
De acordo com levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), o Brasil segue como um dos países com maior índice de assassinatos contra pessoas trans. Os crimes, muitas vezes letais, refletem um cenário de exclusão, preconceito e violência motivada por ódio.
Enquanto as investigações sobre as mortes de Grampola e Amanda Falcão continuam, movimentos sociais reforçam que a mobilização deve seguir firme para garantir segurança, respeito e visibilidade à comunidade trans.

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