Por Ezequiel Neves
A crise política em Turilândia, no Maranhão, ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (12). Após audiência de custódia, a Justiça decidiu manter a prisão preventiva de oito vereadores investigados por participação em um esquema que desviou mais de R$ 56 milhões dos cofres públicos.
Anteriormente em prisão domiciliar, os parlamentares tiveram a medida convertida em preventiva após o descumprimento de regras judiciais, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de contato entre os investigados.
A Decisão do Tribunal de Justiça (TJ-MA)
A nova ordem de prisão foi proferida pela 3ª Câmara Criminal do TJ-MA, sob relatoria da desembargadora Maria da Graça Peres Soares. Os parlamentares já foram conduzidos ao Presídio de Pinheiro, onde seguirão à disposição do Judiciário.
Lista dos vereadores que permanecem presos:
- Gilmar Carlos Gomes Araújo
- Mizael Brito Soares
- José Ribamar Sampaio
- Nadianne Judith Vieira Reis
- Sávio Araújo e Araújo
- Josias Fróes
- Carla Regina Pereira Chagas
- Inailce Nogueira Lopes
Os vereadores Daniel Barbosa Silva e José Luís Araújo Diniz não foram alvos desta nova fase, pois, segundo o Ministério Público (MP-MA), cumpriram integralmente as medidas impostas anteriormente.
Entenda o Esquema de Corrupção em Turilândia
As investigações apontam que o grupo integrava uma organização criminosa especializada em fraudar licitações e desviar recursos destinados, principalmente, às áreas de Saúde e Assistência Social.
O esquema, que teria começado em 2021, envolve crimes graves:
- Organização criminosa
- Fraude em licitação
- Corrupção ativa e passiva
- Peculato e Lavagem de dinheiro
O prefeito Paulo Curió, apontado como o líder da estrutura criminosa, permanece preso desde o final do ano passado.
Intervenção Estadual e o Futuro do Município
Devido à gravidade dos fatos e à "ruptura institucional" apontada pelo Ministério Público, o estado do Maranhão iniciou um processo de intervenção em Turilândia.
O defensor público Thiago Josino Carrilho de Arruda Macêdo foi oficialmente aprovado pela Assembleia Legislativa como interventor. Ele terá o prazo de 180 dias para:
- Restabelecer a normalidade administrativa.
- Garantir a continuidade de serviços públicos essenciais.
- Apresentar um diagnóstico da gestão em até 90 dias.
O Que Diz a Defesa?
Em nota oficial, a defesa dos parlamentares classificou as prisões como "manifestamente ilegais", alegando que os vereadores estavam cumprindo o monitoramento eletrônico. Segundo os advogados, a decisão do TJ-MA ignorou petições protocoladas anteriormente e baseou-se em interpretações equivocadas. A defesa afirmou que buscará a reversão da decisão nas instâncias superiores.






