A política costuma revelar sua verdadeira face nos bastidores, e o que vem acontecendo em Raposa (MA) é um retrato clássico de como o poder pode afastar um gestor de suas verdadeiras origens. A história da ascensão e do distanciamento político de Eudes Barros expõe uma ferida aberta na base que sustentou sua jornada rumo à prefeitura.
De 2016 a 2020: A base que carregou o projeto nas costas
Em 2016, a estreia de Eudes Barros na disputa pela prefeitura rendeu um modesto terceiro lugar, com 4.026 votos, ficando atrás de Talita Laci (6.292 votos) e de sua cunhada, Ocileia Fernandes (4.392 votos). Naquele momento, o caminho parecia longo e árduo.
O cenário se transformou em 2020. Graças a uma forte articulação que incluiu a união com a família Laci e a entrega incansável de um grupo fiel, Eudes virou o jogo e venceu a eleição com 6.741 votos. Quem esteve na trincheira na derrota continuou firme na vitória, acreditando em um projeto coletivo. No entanto, o que se viu depois foi exatamente o oposto da lealdade.
A inversão de valores: Quem lutou foi esquecido, quem atacou foi premiado
Assim que assumiu o mandato, Eudes Barros optou por um caminho que gerou indignação entre seus principais aliados:
- O festival de forasteiros: A prefeitura foi tomada por pessoas de fora do município, enquanto os raposenses que dedicaram tempo e suor à campanha ficaram à margem da gestão.
- Inversão de lealdade: A máxima de que "quem não trai é valorizado" foi completamente ignorada. A principal opositora da trajetória de Eudes, Ocileia Fernandes, passou a desfrutar de regalias e espaços na gestão que jamais foram concedidos ao grupo fiel.
- O isolamento dos aliados de primeira hora: Quem nunca virou as costas para o prefeito acabou relegado ao esquecimento, dando lugar a figuras oportunistas.
Descompasso político e alianças questionáveis
O divórcio entre o prefeito e sua base também se refletiu nas urnas estaduais. Em 2022, a aposta política em Weverton Rocha para o governo — deixando de lado Carlos Brandão — abriu fissuras profundas. Hoje, o sentimento predominante entre os eleitores que elegeram Eudes em 2020 é de profunda decepção: a base tradicional foi descartada, enquanto antigos adversários ganharam abraços e espaço de sobra.
O grito por respeito e os próximos capítulos
O grupo político que construiu a vitória de Eudes Barros de 2016 a 2020 não aceita o papel de figurante após ter garantido o sucesso do projeto. O descontentamento cresce a cada dia e promete redesenhar o tabuleiro político de Raposa.
Fonte: Alguém Ligado ao Prefeito







