Relatório de inteligência da Polícia Federal (PF) que serviu de base para uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), não identificou indícios de que o jornalista Luís Pablo tenha cometido crime de violação de sigilo funcional ao publicar reportagens sobre o uso de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) por Flávio Dino.
As informações foram divulgadas pela coluna de Malu Gaspar, de O Globo, a partir de documentos sigilosos relacionados à investigação.
Investigação começou após reportagens sobre veículo oficial
Luís Pablo, que mantém um blog voltado à política maranhense, publicou, a partir de novembro de 2025, reportagens sobre o uso de um veículo oficial do TJMA por Flávio Dino e familiares.
Segundo a reportagem, Moraes afirmou em sua decisão que não houve uso irregular do veículo. Mesmo assim, o jornalista foi alvo, em março deste ano, de uma operação policial que resultou na apreensão de dois celulares, um notebook e um pen drive.
O material apreendido permitiu aos investigadores analisar comunicações entre o jornalista e sua fonte.
PF diferencia atuação do jornalista e da fonte
De acordo com o relatório, a Polícia Federal identificou o ex-secretário Raimundo Cutrim como fonte de Luís Pablo. As mensagens analisadas mostram o envio de documentos e imagens pelo WhatsApp e encontros presenciais entre os dois.
O delegado Alberto Knoll, responsável pelo relatório, fez uma distinção entre a atuação do jornalista e a de sua fonte. Segundo ele, a conduta do jornalista estaria, em tese, protegida pelo direito à liberdade de imprensa.
Já em relação à possível divulgação irregular de informações restritas por agente público, o relatório apontou que a conduta poderia ser analisada à luz do artigo 325 do Código Penal, que trata da violação de sigilo funcional.
Segunda operação e análise das mensagens
A investigação teve uma nova etapa após os investigadores identificarem a fonte do blogueiro. Raimundo Cutrim também é alvo de outro inquérito relacionado à morte de um funcionário da Secretaria de Educação do Maranhão, investigação que tem Flávio Dino como relator.
Na semana passada, foi realizada uma segunda operação de busca e apreensão, autorizada por Moraes.
O relatório analisou conversas entre Luís Pablo e diferentes pessoas, incluindo o advogado Diogo Lima, que também foi alvo das diligências.
Compra de terreno é citada no relatório
Outro ponto mencionado pela Polícia Federal envolve a compra de um terreno rural pelo jornalista, avaliado em R$ 461 mil.
Segundo o relatório, uma parcela de R$ 100 mil foi transferida por Diogo Lima para Danilo Cutrim Bezerra, apontado como vendedor do imóvel. A PF ressaltou que não foi possível concluir se Danilo Cutrim possui parentesco com Raimundo Cutrim, devido à grande incidência do sobrenome no Maranhão.
As mensagens analisadas também registraram conversas entre Luís Pablo e Diogo Lima relacionadas a matérias jornalísticas sobre Flávio Dino.
Pagamentos de publicidade também foram analisados
O relatório cita ainda notas fiscais emitidas em nome da Assembleia Legislativa do Maranhão para o Blog Luís Pablo, com valores que variavam entre R$ 12 mil e R$ 17,5 mil.
Questionado sobre os pagamentos, o jornalista afirmou que os valores correspondiam à veiculação de banners publicitários em seu blog.
Segundo Luís Pablo, os pagamentos eram realizados por uma agência de marketing contratada pela Assembleia e também contemplavam outros veículos de comunicação, como blogs, rádios e emissoras de televisão.
Liberdade de imprensa no centro do debate
O caso envolve questões relacionadas à liberdade de imprensa, sigilo de fontes, investigação policial e atuação de autoridades públicas.
O relatório da PF, conforme divulgado pela coluna de O Globo, diferencia a atividade jornalística da possível prática de ilícitos por fontes que tenham acesso a informações protegidas.
A investigação continua sob sigilo e os elementos reunidos deverão ser analisados pelas autoridades responsáveis pelo caso.

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