Postado em: 13 de fevereiro de 2026 | Por: Ezequiel Neves

STJD suspende Abel Braga por falas homofóbicas: Entenda a condenação

 Por Ezequiel Neves 


​O Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol (STJD) anunciou a condenação do técnico do Internacional, Abel Braga, em decorrência de declarações discriminatórias. A decisão, proferida pela 6ª Comissão Disciplinar, estabeleceu uma suspensão de cinco partidas e o pagamento de uma multa fixada em R$ 20 mil.

O motivo da condenação

​O caso remete a um episódio ocorrido em 30 de novembro de 2025. Na ocasião, o treinador proferiu uma frase de cunho homofóbico ao criticar a vestimenta de treino da equipe:

“Eu não quero a p0rra do meu time treinando de camisa rosa, parece time de vead0”.


​A Procuradoria da Justiça Desportiva entendeu que a manifestação se enquadra perfeitamente como ato discriminatório, violando os princípios éticos e as regras do futebol brasileiro.

O que diz a lei (Artigo 243-G do CBJD)

​A punição foi fundamentada no Artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). Este artigo é o principal dispositivo para combater o preconceito no esporte e prevê punições para atos:

  • ​Discriminatórios;
  • ​Desdenhosos;
  • ​Ou ultrajantes.

​A legislação abrange preconceitos relacionados à origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência.

Detalhes da Pena

Previsão em Lei

Pena Aplicada a Abel

Suspensão

5 a 10 partidas 

5 partidas

Multa Financeira

R$ 100 a R$ 100 mil



Embora a condenação tenha ocorrido, a pena aplicada foi considerada branda pelos especialistas, visto que ficou no limite mínimo da suspensão prevista e bem abaixo do teto máximo da multa.

O Entendimento do Tribunal

​Para a 6ª Comissão Disciplinar, a fala não foi apenas um "desabafo", mas uma associação pejorativa de um elemento neutro (a cor do uniforme) a uma orientação sexual, utilizando termos historicamente usados para desumanizar e inferiorizar a comunidade LGBTQIAPN+.

​Em sua defesa, Abel Braga afirmou que não teve a intenção de ofender e alegou que, pessoalmente, utiliza a cor rosa com frequência, negando possuir qualquer tipo de comportamento discriminatório. Entretanto, a auditora Aline Gonçalves Jatahy reforçou que a fala reforça estereótipos nocivos ao ambiente esportivo e à sociedade.

O que você achou da decisão?

​A condenação de Abel Braga levanta novamente o debate sobre o limite das declarações no futebol e o rigor da justiça desportiva contra o preconceito.


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