POESIA SEMPRE!
Leia na íntegra o poema Águas da obra inédita Prelúdio às Águas de autoria do poeta e jornalista maranhense Fernando Atallaia
Águas
Tomo I
As que molham breves
Derretendo ódios
Triturando asfaltos
Chão estéril
Olhares longos na sacada
As que molham bocas
Vulcânicas
Dramáticas
Reles
Mergulhadas na esperança dos amantes náufragos
| Águas, Águas, Águas!
Saliva do Divino, dádivas
Tantos com sede, quantos tão fartos!
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Águas, Águas, Águas!
Saliva do Divino, dádivas
Tantos com sede, quantos tão fartos!
As que chegam tarde
Esperadas aos séculos por trilhas
Ervas
Rosas
Enxadas
As mesmas que explodem casas rompem nadas
Rastejam lentas aos secos caminhos
Beijam flores florescem espinhos
Hoje terão destino certo: acabar com a alegria das donas de casa nos varais
Deus faz tudo no momento outro: é dele as águas da lágrima
É dele o sulco por onde passam os exultantes pingos sobre a rachadura do agreste
| É como a peste infalível para alguns
Qual felicidade rogada nas orações desencontradas
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É como a peste infalível para alguns
Qual felicidade rogada nas orações desencontradas
A mãe que aguarda o filho ansiosa por horas, minutos, segundos
O pai que planta nos terrais a semente sem abrolhos, futuro
Há de vingar o fruto um dia
Há de morrer aquele que bebe dela envenenada
O moço triste debruçado sobre o copo vazio
A moça alegre no cio pingando sua majestosa puberdade
O ancião clamando ao tempo uma gota mesmo rara
A cafetina se contorcendo ao vento para que ela passe sem demora
O louco rindo do espetáculo da queda dos trovões
Os lampiões apagados por seus rios de memória
Quando do tempo se quis apenas o inferno dos vulcões?
Águas, Águas, Águas!
Saliva do Divino, dádivas
Tantos com sede, quantos tão fartos!
A moça alegre no cio pingando sua majestosa puberdade
O ancião clamando ao tempo uma gota mesmo rara
A cafetina se contorcendo ao vento para que ela passe sem demora |
Companheira dos telhados e do pensamento
Vão à serena a dor o lamento
Assim como vão entre as mãos molhadas a luz que se apagava
São essas águas as tristes chuvas do mês estrangulado na incerteza
Quebram elas as fadigas
Os baldes
As mesas
Águas para quem tem sede
Mais águas para que se vai à correnteza
Sal para quem tempera
Chuva para quem espera
Tempestade para quem se banha
De alegria, dor e primavera
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Hoje o céu se abriu escuro enevoado entre as árvores pequenas
E de lá se via a nuvem acenando entre olhos, aguardando
Uma mulher coze esperanças sobre anáguas envelhecidas
De onde parte a vida?
Para onde os sonhos desaguam?
Águas tristonhas
Águas medonhas
Para uns aos montes
Para outros, prantos
E Ele faz do mar, sede inacessível
Do rio o saltar do menino , afogando
É do milho a colheita abundante
Do comerciante o medo do afundar
E Ele faz do mar, sede inacessível
Do rio o saltar do menino , afogando
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Do lábio sujo, o novo encanto
Da nau errante, fortaleza
Da lua nova ,velho norte
Do beijo doce, tristeza
Sal para quem tempera
Chuva para quem espera
Tempestade para quem se banha
De alegria, dor e primavera
As que molham bocas
Vulcânicas
Dramáticas
Reles
Mergulhadas na esperança dos amantes náufragos
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Águas, Águas, Águas!
Saliva do Divino, dádivas
Tantos com sede, quantos tão fartos!
Tantos com sede, quantos tão fartos!
Fernando Atallaia, São José de Ribamar, Janeiro de 2009
http://agenciadenoticiasbaluarte.blogspot.com.br/2017/03/literatura-brasileira-fernando-atallaia.html
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