Postado em: 16 de março de 2017 | Por: Ezequiel Neves

LITERATURA BRASILEIRA: FERNANDO ATALLAIA

POESIA SEMPRE!

Leia na íntegra o poema Águas da obra inédita Prelúdio às Águas de autoria do poeta e jornalista maranhense Fernando Atallaia


Águas 

Tomo I 



As que molham breves


Derretendo ódios


Triturando asfaltos


Chão estéril 


Olhares longos na sacada

As que molham bocas


Vulcânicas


Dramáticas  


Reles


Mergulhadas na esperança dos amantes náufragos



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Águas, Águas, Águas! 
Saliva do Divino, dádivas

Tantos com sede, quantos tão fartos!
Águas, Águas, Águas!
Saliva do Divino, dádivas


Tantos com sede, quantos tão fartos!



As que chegam tarde


Esperadas aos séculos por trilhas


Ervas


Rosas


Enxadas


As mesmas que explodem casas rompem nadas


Rastejam lentas aos secos caminhos


Beijam flores florescem espinhos


Hoje terão destino certo: acabar com a alegria das donas de casa nos varais


Deus faz tudo no momento outro: é dele as águas da lágrima


É dele o sulco por onde passam os exultantes pingos sobre a rachadura do agreste


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É como a peste infalível para alguns 
Qual felicidade rogada nas orações desencontradas
É como a peste infalível para alguns


Qual felicidade rogada nas orações desencontradas


A mãe que aguarda o filho ansiosa por horas, minutos, segundos


O pai que planta nos terrais a semente sem abrolhos, futuro


Há de vingar o fruto um dia


Há de morrer aquele que bebe dela envenenada

O moço triste debruçado sobre o copo vazio


A moça alegre no cio pingando sua majestosa puberdade


O ancião clamando ao tempo uma gota mesmo rara


A cafetina se contorcendo ao vento para que ela passe sem demora


O louco rindo do espetáculo da queda dos trovões


Os lampiões apagados por seus rios de memória


Quando do tempo se quis apenas o inferno dos vulcões?





Águas, Águas, Águas!


Saliva do Divino, dádivas


Tantos com sede, quantos tão fartos!



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A moça alegre no cio pingando sua majestosa puberdade

O ancião clamando ao tempo uma gota mesmo rara
A cafetina se contorcendo ao vento para que ela passe sem demora


Companheira dos telhados e do pensamento


Vão à serena a dor o lamento


Assim como vão entre as mãos molhadas a luz que se apagava


São essas águas as tristes chuvas do mês estrangulado na incerteza


Quebram elas as fadigas


Os baldes


As mesas


Águas para quem tem sede


Mais águas para que se vai à correnteza 



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Sal para quem tempera

Chuva para quem espera

Tempestade para quem se banha

De alegria, dor e primavera



Hoje o céu se abriu escuro enevoado entre as árvores pequenas


E de lá se via a nuvem acenando entre olhos,  aguardando


Uma mulher coze  esperanças sobre  anáguas envelhecidas


De onde parte a vida?


Para onde os sonhos desaguam?


Águas tristonhas


Águas medonhas


Para uns aos montes


Para outros, prantos  





E Ele faz do mar, sede inacessível


Do  rio o saltar do menino , afogando


É do milho a colheita abundante


Do comerciante o medo do afundar



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E Ele faz do mar, sede inacessível

Do  rio o saltar do menino , afogando



Do lábio  sujo, o novo encanto


Da nau errante, fortaleza


Da lua nova  ,velho norte


Do beijo doce, tristeza


Sal para quem tempera


Chuva para quem espera


Tempestade para quem se banha


De alegria, dor e primavera



Resultado de imagem para claudia raia na chuva
As que molham bocas

Vulcânicas

Dramáticas  

Reles

Mergulhadas na esperança dos amantes náufragos

Águas, Águas, Águas!


Saliva do Divino, dádivas


Tantos com sede, quantos tão fartos!





Tantos com sede, quantos tão fartos!




Fernando Atallaia, São José de Ribamar, Janeiro  de 2009

http://agenciadenoticiasbaluarte.blogspot.com.br/2017/03/literatura-brasileira-fernando-atallaia.html

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