POESIA SEMPRE!
Leia o poema ‘Submarinas’ da obra inédita Das Crepusculares de autoria do poeta e jornalista maranhense Fernando Atallaia
Submarinas
Para Tânia Russof
Conchas à beira-mar
Contorcendo-se às algas
Saltando terra por olhos d’água nos ralos meandros de caule
Baixa Maresia
Não é de toda a poesia, mas o frêmito da sereia se erigiu nas queixosas Praias
Recifes atormentados clamam inclinados por escamas de leite
E os peixes que servem a angústia em pratos de lua?
Agarrochadas quais rãs se vão elas nos vãos
As submarinas submersas Tétis dos titubeantes barcos
Pradarias que surgem entreúnas no calhau perpassado
| A atriz pornô Tânia Russof: homenageada pela poética atallaiana |
Mar impreciso, chuvas gotejantes?
Senão nas abissais de Cronos dormem elas sossegadas até o sangrar dos Vulcões
As partes de olhos vivos nas oceânidas
Astrolábios aquecidos por um segundo no eterno
E o que faz ela prolongada ao sol?
O que faz ela prometida aos lagos?
Essas têmporas de manhãs guardam frutos de sal
Na nua existência dos homens lançados aos grãos do tempo
Areia escassa rodopiando entre os dedos
A estes a bem-aventurança de uma ave solta ao esquecimento
Um busto
A inexatidão do instante derramado
E ela a buscar em todo mundo uma mão suave, os azuis ensandecidos
Pois que a vida entardecida roga no presente à contração das retinas imagéticas
Palavra
Sonho lascívia líquidos corais
Esbaldada dos longos partos a ninfa de Ponto anseia ser agora apenas pedra ou água
Nada mais que o molhar das rochas no olhar das águas
Nada mais
Fernando Atallaia, São José de Ribamar, Março de 2012
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