Postado em: 1 de agosto de 2026 | Por: Ezequiel Neves

Fabi Diniz de Queiroz Pilate toma posse como a primeira promotora de Justiça trans do Brasil no MPAM


Fabi Diniz de Queiroz Pilate, primeira promotora de Justiça trans do Brasil, toma posse no Amazonas — Foto: Hirailton Gomes/MPAM


​A história do Ministério Público brasileiro foi marcada por um momento de profunda transformação nesta sexta-feira (31/7), em Manaus. Fabi Diniz de Queiroz Pilate tomou posse como promotora de Justiça do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), tornando-se a primeira mulher trans a ocupar o cargo de promotora de Justiça em todo o país.

​A conquista representa um marco não apenas para a carreira jurídica de Fabi, mas para a visibilidade e inclusão social da comunidade LGBTQIA+ no Brasil.

​Uma conquista histórica e coletiva

​Durante a cerimônia de posse, a nova promotora destacou a relevância social de sua trajetória e o impacto de sua chegada ao órgão ministerial:

​"Essa posse transcende a minha trajetória pessoal. Trata-se de uma conquista histórica e coletiva de um grupo de cidadãos que ainda são alijados de direitos básicos de cidadania."


​Para Fabi, o seu ingresso no Ministério Público envia uma mensagem clara à sociedade brasileira: pessoas trans têm plena capacidade de ocupar espaços de poder, decisão e relevância pública.

​Trajetória acadêmica e profissional

​Natural de Paranaíba (Mato Grosso do Sul), Fabi construiu uma sólida carreira voltada ao Direito, ao serviço público e à educação. Seu percurso inclui:

  • ​Atuação como advogada;
  • ​Experiência como servidora do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS);
  • ​Conclusão de mestrado na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS);
  • ​Aprovação em doutorado;
  • ​Experiência como docente na Universidade Estadual e na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

​Sua relação com o Amazonas se estreitou durante as etapas de preparação e seleção: ela viajou a Manaus em seis ocasiões para participar das etapas do concurso público do MPAM e de provas de outra instituição.

​Próximos passos: atuação no interior do Amazonas

​Fabi iniciará sua carreira ministerial na comarca de Jutaí, localizada no interior do Amazonas. Embora ainda não conheça pessoalmente o município, a nova promotora já deu início aos preparativos para sua atuação na região.

​Ela realizou pesquisas sobre o município e consultou o projeto "Conheça seu Município", desenvolvido pela Corregedoria-Geral do MPAM, para estruturar seu plano de trabalho inicial.

​Superando desafios e quebrando paradigmas

​Ao comentar os principais desafios do novo cargo, Fabi pontuou que as pessoas trans ainda enfrentam barreiras severas, preconceitos e questionamentos cotidianos sobre o exercício de direitos fundamentais.

​"O desafio será fazer a sociedade entender que nós somos pessoas como quaisquer outras, quebrar estigmas e paradigmas, mas sempre abrindo diálogo para quem quiser entender e compreender", afirmou a promotora, reforçando que pretende conduzir sua gestão com equilíbrio e abertura ao diálogo.

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