Postado em: 19 de fevereiro de 2026 | Por: Ezequiel Neves

Polilaminina: PM do Maranhão apresenta melhora após tratamento inovador





Por Ezequiel Neves

 

Uma esperança renovada para o tratamento de lesões medulares ganha destaque no Maranhão. O policial militar Romildo Leobino, de 46 anos, apresentou os primeiros sinais de evolução clínica menos de uma semana após ser submetido a um procedimento experimental com a substância polilaminina.

​Internado no Hospital do Servidor, em São Luís, Romildo é o primeiro paciente do estado a receber o tratamento, que visa a regeneração de neurônios e a reconexão da medula espinhal após traumas graves.

​A Recuperação: "Já consigo fazer força"

​Baleado no pescoço durante uma operação em Bom Jardim, o PM enfrentava um quadro severo de paralisia. No entanto, o cenário começou a mudar após a última quarta-feira (11). Em vídeo emocionante compartilhado pelo filho, Romildo relatou os avanços:

​"Já consigo até fazer força em uma das mãos… nas duas mãos. Não tô ainda conseguindo fechar, mas consigo apertar a mão das pessoas. A respiração melhorou significativamente", comemorou o policial.


​Além do relato pessoal, o boletim médico e a família confirmaram ganhos importantes nas primeiras 24 horas:

  • ​Contração muscular em mãos e pernas;
  • ​Retirada da sonda urinária;
  • ​Melhor controle do tronco;
  • ​Melhora na função respiratória.

​O que é a Polilaminina e como ela funciona?

​Desenvolvida pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) sob a liderança da bióloga Tatiana Sampaio, a polilaminina é fruto de mais de 20 anos de pesquisa.

  • Origem: É uma versão laboratorial da laminina, proteína essencial no desenvolvimento embrionário, extraída da placenta humana.
  • Função: A substância cria uma "rede" que auxilia os neurônios a se reconectarem.
  • Histórico: Em testes anteriores com oito pacientes, seis recuperaram movimentos, incluindo um caso de retorno da marcha (andar sozinho).

​O Caminho Judicial e a Ciência

​Embora o protocolo oficial recomende a aplicação em até 72 horas após o trauma, Romildo recebeu a substância 28 dias depois, graças a uma liminar judicial concedida em 5 de fevereiro. O caso abre um precedente importante para a discussão sobre o uso compassivo de terapias experimentais.

​Atualmente, a técnica está entrando na fase 1 de testes clínicos para a Anvisa. Nesta etapa, a prioridade é garantir a segurança do medicamento. Se aprovada nas fases subsequentes (2 e 3), a polilaminina poderá, no futuro, ser integrada ao SUS e à rede hospitalar brasileira.

​Monitoramento Contínuo

​Apesar do otimismo, a equipe médica ressalta que o paciente segue sob observação constante. A ciência caminha com cautela: o sucesso de Romildo é um passo promissor, mas a comprovação definitiva de eficácia e segurança depende da conclusão de todos os ciclos regulatórios.

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